Festa de cachorro-quente
No aniversário de dez anos do Vitor, a mãe falou que ia ter festa de cachorro-quente e o Vitor adorou, porque ele adora cachorro-quente.
A mãe caprichou, fez um montão, um molho bem gostoso e, na hora de servir, serviu bem arrumadinho, cada cachorro-quente num prato, pra não ter lambança.
Tinha criança à beça na festa e quando as bandejas foram chegando na mesa com os cachorros-quentes, a criançada foi logo correndo pra pegar um. O Vitor foi o primeiro a dar uma mordida, mas levou azar e acabou só com pão na boca, porque a salsicha escapuliu e caiu no prato.
O estranho foi que ela caiu em pé. O Vitor olhou espantado e se espantou mais ainda, porque viu que a salsicha tinha cara de cachorro! O mesmo foi acontecendo com todas as crianças. Toda festa tinha sempre uma criança que deixava a salsicha cair, mas dessa vez não sobrou uma dentro de pão. Ninguém conseguiu morder salsicha e foram todas caindo em pé, espalhadas pela mesa.
Estava todo mundo olhando a mesa cheia de salsichas em pé, quando aquelas carinhas de cachorro gritaram juntas: “Festa de cachorro-quente!!”. Aí pegaram as forminhas dos brigadeiros pra servir de chapéu e saíram dançando. Como salsicha não tem pernas, a dança delas era pulando, então foi um pula pula danado!
Já dá pra imaginar que as crianças se animaram com essa dança de salsicha e quiseram imitar. Rapidinho a sala parecia mais uma pipoqueira! A confusão ficou pior quando uma das salsichas pulou na beira de um prato e o prato virou, lançando molho de cachorro-quente no ar. As salsichas acharam que isso era engraçado e começaram todas a fazer a mesma coisa, num festival de molho voando pra todo lado!
Pra falar a verdade, as crianças também acharam engraçadíssimo, mas já os pais… A mãe do Vitor ficou desesperada com aquela bagunça e gritou: “Parem agora com isso, se não vou fazer picadinho de salsicha, pra fazer render!!”
As salsichas sentiram que a coisa era séria e pararam. As crianças pararam também, porque estavam bem cansadas. E com fome…
Mas claro que elas não comeram cachorro-quente. O jeito foi comer bolo e brigadeiro. Bom, o que sobrou, porque aquela festa toda tinha dado muita fome nas salsichas.

Da série ilustrando a ilustração
Depois de escrever O menino com a lua na cabeça baseada no desenho do Thomas, fiquei com vontade de fazer mais experiências assim. Então pedi à querida amiga Thereza Rowe para me mandar um de seus desenhos que estivesse guardado na gaveta (ou no computador) sem uso. Ela mandou, eu ilustrei a ilustração com essa história. Mais outras virão da série!
Sobre a ilustradora: © Thereza Rowe é ilustradora e autora. Para se deliciarem com seu belo trabalho, visitem: www.instagram.com/therezarowe