o penúltimo presente

Uma semana antes do meu pai ser internado, minha irmã me mandou esse presente. Eles tinham lido meu livro e ela, percebendo que ele estava bem interativo, pegou o bloco e ficou surpresa com sua disposição para desenhar. Seu tempo de atenção já estava bem menor para a leitura e a capacidade para desenhar reduzida, então fiquei felicíssima do meu livro ter sido estímulo para ele brincar com os lápis no papel, se divertindo com as cores.

De uns anos pra cá, quando a doença ainda não tinha se manifestado claramente, papai sempre brincava, dizendo sobre diferentes situações boas: “Não é a última, é sempre a penúltima!”. Assim foram nossas despedidas. Valorizávamos o que permanecia, não o que se perdia, mas aos poucos íamos nos despedindo. Era sempre uma penúltima despedida. Até que veio a última. Já os presentes, estes serão para sempre os penúltimos.

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