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Lisbela e o ovo de dinossauro

Lisbela tinha só cinco pétalas, que eram rosa, com as beiradas vermelhas. Ela não se conformava de ter nascido justo do lado de um ovo de dinossauro. “Assim que ele sair do ovo, ele pisa em mim e me amassa”, ela pensava. E vivia chateada.

Chegava a noite, e um cobertor escuro, pipocado das estrelas mais brilhantes, se esticava no céu devagarzinho, mas Lisbela não tinha olhos pra estrelas. De manhã, bandos de borboletas gigantes acendiam o dia. Carregavam luz do sol nas costas, nas cores das asas, mas Lisbela não tirava os olhos do ovo.

Numa tarde, de céu cinza-ameaça, a terra começou a tremer: era o ovo começando a rachar. Lisbela ficou branca, ficou murcha, desmaiou. Caiu casca no chão, caiu uma gosma derramada e, ainda um pouco lambuzada de gosma, a criatura surgiu.

Era um bebê dinossauro. Era só um bebê, mas já tinha patas enormes com garras enormes e uma cabeça enorme com uma boca enorme. Ele olhou pras flores, abriu a boca enorme, e as flores se apavoraram com aqueles dentes enormes. Aí ele falou, com uma voz miúda: “Que que são essas coisinhas coloridas no chão? Que que é esse cheirinho bom?” E foi chegando mais perto das flores, pra cheirar.

Antes dele chegar muito perto, as flores se apressaram em explicar que tinha muito mais coisa pra ver, e falaram das estrelas. Dino parou, encantado. As flores falaram então das borboletas e Dino começou a pular, entusiasmado. Assustadas, elas resolveram contar que no meio de umas pedras, bem, bem, bem longe dali, tinha uns lagartos verdinhos, muito macios e apetitosos. Dino esqueceu flor, estrela e borboleta, e saiu correndo pra caçar.

Quando Lisbela acordou, a conversa era toda sobre dinossauro. Sem nada pra dizer, ela ficou quieta, sozinha, olhando pra onde sempre olhava: mas agora não tinha mais ovo, só um espaço vazio de ovo. Lisbela continuou olhando, olhando, sem saber o que ver. De repente, duas asas amarelas encheram de voo o vazio. Era uma borboleta. Junto dela vinham muitas, vinham azuis, vinham vermelhas, e pousavam suas cores nas outras flores.

Foi só nessa hora que Lisbela se lembrou de uma coisa de que andava esquecida há muito tempo: que ela também sabia fazer comida de borboleta! Deu logo uma vontade de experimentar e Lisbela convidou a borboleta amarela pra almoçar. A borboleta foi e adorou.

Hoje em dia Lisbela anda super ocupada, sempre inventando uma comida nova pra suas amigas borboletas. Quando está sem inspiração, ela para de noite, olha pras estrelas, e logo brilha uma luzinha na ideia dela pro almoço do dia seguinte. Por isso, Lisbela ficou muito famosa na região. Dizem que até o Dino já apareceu por lá, pra fazer uma boquinha.

Colagem com desenho do Thomas

brincadeira com desenho e palavras

Pra essa brincadeira a inspiração foi o livro A criação do mundo e outras lendas da Amazônia, de Vera do Val, com belas ilustrações de Geraldo Valério. O Thomas fez o desenho e eu tinha que escrever uma lenda baseada nele:

A origem das cores

No começo, a primeira pessoa vivia dentro da terra e era tudo marrom e preto. Um dia, um tatu que também morava ali, foi cavando um túnel comprido comprido e acabou saindo para fora da terra, deixando entrar para dentro um pouco da luz do sol. A pessoa viu a luz e ficou curiosíssima, então resolveu seguir o caminho do tatu. Quando saiu para fora, quase ficou cega, porque a luz do sol era forte demais!

Tinha muitas plantas e bichos fora da terra, mas tudo brilhava muito, e a pessoa não conseguia enxergar bem. Então ela subiu na palmeira gigante para chegar até o sol, e o cobriu um pouco com uma folha da palmeira, para diminuir seu brilho.

Agora a pessoa podia ver as coisas, mas era tudo tão cinza, a não ser a cobra fina. A cobra fina era azul e tinha a semente de todas as cores na cabeça.

Quando a pessoa pediu para a cobra fina o segredo das cores, o que ela falou foi que a pessoa tinha que cortar uma tora de madeira e também construir um arco e flecha. Depois foi se arrastando na tora, e quando terminou tinha vários círculos coloridos desenhados nela.

– Cada cor que você acertar vai se espalhar pela natureza, falou a cobra.

Primeiro a pessoa ainda estava sem prática e só acertava entre os círculos, por isso só espalhou o branco. Sem desistir, ela praticou e praticou e a pontaria melhorou. No fim, a pessoa tinha acertado todas as cores e o mundo estava colorido.

Foi então que a pessoa sentiu falta de outras pessoas, para dividir tanta beleza. Mas essa já é outra história.